
"A fructibus eorum cognoscetis eos"



António Marques Mendes afirmou ontem ao DN que não se recorda de ter escrito duas cartas ao major Valentim Loureiro em que pedia ao presidente da Liga de Clubes que colocasse uma pessoa sua amiga na Comissão Disciplinar do organismo de futebol.
A alegada "cunha" foi revelada pelo jornal electrónico Portugaldiário.
"Não me recordo de nada disso. Não tenho conhecimento de nada", disse o pai do líder do PSD. De acordo com o Portugaldiário, Valentim Loureiro recebeu as duas cartas de António Marques Mendes metendo uma "cunha" para uma pessoa amiga ser contratada pela Comissão Disciplinar do organismo de futebol liderado por Valentim e terá acedido ao pedido, guardando ambos as missivas.
Ai Marques Mendes, Marques Mendes ...

José Sócrates surpreendeu ontem a Comissão Política Nacional do PS. Assumiu ele próprio o lugar que há um ano reservou para Jorge Coelho.
Coelho, responsável n.º 1 pelo desaire das últimas eleições autárquicas, sobretudo na escolha dos candidatos do PS decidiu sair da liderança da Comissão Permanente.
Ontem, na Comissão Política Nacional, Sócrates não quis deixar a Comissão Permanente em mãos alheias e assumiu ele próprio a sua liderança. Esta decisão parece-nos ter uma única leitura: quer ser ele mesmo a reorganizar o PS, diria, reorganizar o PS da era Sócrates, não cometendo o erro que Guterres cometeu ao desligar-se totalmente do partido da rosa, deixando que ele ficasse nas mãos de alguns "barões".
Esta decisão de Sócrates só faz sentido se ele quiser mudar o PS, e mudá-lo quer dizer mudar tudo e mudar tudo nos distritos e concelhos. O secgedo de um partido que possa ser forte para ajudar o Governo é encontrar uma nova geração de lideres locais, mais credíveis, melhor aceites e mais respeitados pelos cidadãos. Sócrates percebeu que um "cão com a bandeira do PS no rabo" ( como o presidente da concelhia do PS-COIMBRA afirmara nas últimas autárquicas para justificar que Baptista teria sempre 30%, o que não aconteceu) pode não vencer eleições. É que a última palavra é do povo e o povo não é enganado durante muito tempo, todo o tempo.
Tal quer dizer que os portugueses cada vez votam menos no símbolo dos partidos e cada vez mais têm em conta a(s) personalidade(s) que os partidos candidatam.
A consequência desta decisão só pode ser uma: José Sócrates vai procurar rejuvenescer as lideranças locais do partido, refrescando práticas, modelos e organizações por forma a injectar mais credibilidade no PS junto das pessoas.
Se for esta a intenção tem o nosso aplauso.
Para tanto é necessário afirmar as limitações de mandatos internos e é necessário que o secretário-geral dê sinais claros de que quer rejuvenescer o partido.