terça-feira, abril 25, 2006

Não há Fumo sem Fogo???

PS – Vilar pede suspensão de mandato de vereador

O socialista pediu, ontem, a suspensão do mandato de vereador por três meses e confirmou ser arguido num processo de inquérito criminal.O vereador do PS da Câmara Municipal de Coimbra, Luís Vilar, que é também o presidente da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PS, pediu ontem a suspensão das suas funções autárquicas por três meses, "prazo julgado adequado para o termo da investigação" criminal no âmbito da qual confirmou ser arguido.
O pedido foi entregue ao presidente da Câmara Municipal, Carlos Encarnação, num documento onde o socialista considera "não se encontrarem reunidas as condições indispensáveis à sua [Luís Vilar] manutenção em efectividade de funções"."Em primeiro lugar, o exercício do cargo, nas circunstâncias actuais, propicia a existência de suspeitas sobre o detentor do cargo de vereador e sobre o órgão de que o mesmo faz parte, podendo pôr em causa a confiança dos eleitores e munícipes de Coimbra.
Em segundo lugar, porque a manutenção do ora requerente em efectividade de funções pode constituir um constrangimento à investigação em curso", lê-se no texto dirigido a Encarnação e que foi distribuído no início da reunião quinzenal do executivo camarário, que aprovou por unanimidade o pedido de Vilar.A suspensão do mandato de vereador surge no seguimento de uma notícia publicada na passada quinta-feira pelo semanário "Campeão das Províncias" segundo a qual Vilar terá sido constituído arguido pela prática de crimes de corrupção e tráfico de influências, suspeitas que o socialista não confirmou "por desconhecimento da matéria constante nos autos" e por "vínculo ao segredo de Justiça".
"Apenas cabe ao requerente confirmar a sua actual qualidade de arguido no âmbito de um processo de inquérito criminal, cujos termos pendem nas competentes instâncias de Justiça, na Comarca de Coimbra", lê-se no documento."Sucede, porém, que a fazer fé no teor de tal notícia, tais alegadas suspeitas de corrupção referir-se-ão a actuações do ora requerente na sua qualidade de vereador desta Câmara Municipal, a exemplo do que sucederá na imputada prática de tráfico de influências", continua o texto, onde Luís Vilar sublinha não poder alhear-se "do impacto" que tais suspeitas "suscitam sobre a sua actuação passada, presente e futura, enquanto vereador".
No pedido de suspensão, o socialista salienta que a posição não traduz "a assumpção" de "quaisquer condutas ou responsabilidades em relação às alegadas imputações". E acrescenta que "em momento algum deixou de pugnar pela defesa do interesse público". O pedido, escreve ainda, foi feito por um "inadiável imperativo de consciência, em ordem a garantir a transparência e a absoluta honorabilidade às funções e ao respectivo desempenho".
Num outro documento que havia lido no início da sessão camarária – que abandonou após a aprovação da suspensão de funções pelos restantes vereadores – Luís Vilar disse que irá defender a sua "dignidade, honra, reputação e bom nome".
"Assumo a responsabilidade do auto-afastamento das funções autárquicas [...] de forma a não colocar em causa a idoneidade do meu partido e dos respectivos militantes. Não permitindo que seja quem for e por que for utilize indevidamente a minha pessoa e/ou o Partido Socialista para interesses internos, externos ou outros", preconizou ainda.E acrescentou não aceitar que "atitudes de coacção, mais ou menos veladas, designadamente por via de cartas anónimas", como terá alegadamente acontecido com a investigação em causa, "logrem conseguir" a sua "retirada forçada da vida política e da vida pública ao serviço da comunidade", onde diz tencionar "continuar a exercer" os "direitos de cidadania".
Encarnação agradece e Baptista elogiaA decisão de Vilar não mereceu grandes intervenções por parte dos restantes membros do executivo. Apenas o presidente da Câmara interveio para agradecer a "colaboração" de Luís Vilar e para criticar a violação do segredo de Justiça. "Do ponto de vista substancial, entendo que a violação do segredo de Justiça é grave, desequilibradora do Estado de Direito", disse.Já o socialista Victor Baptista, que não usou da palavra durante a sessão, acabou por elogiar, em declarações aos jornalistas, a atitude de Vilar. "Acho que foi digno", disse, afirmando não ver "para já" a necessidade de Vilar suspender as funções que desempenha no PS.
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5 comentários:

PENETRA OCASIONAL disse...

De facto é o melhor que tem a fazer neste momento!
Mas também, o cargo político que detem, deve abandonar !

Quem se sentirá bem a delinear estragégias ?!...

Anónimo disse...

É estranho ter demorado duas semanas a tomar a atitude correcta. Então e não suspende as funções de vogal da RTC? E de presidente da Concelhia do PS também não?
Será que não seria mais correcto ter suspendido os mandatos de todas as funções no préprio dia em que foi constituido arguido?

Anónimo disse...

Não há fumo sem fogo??? Que rico título para o post...FRANCAMENTE!!!
se o homem não se auto-suspendesse aqui d'el rei que estava a embrulhar o nome do PS com a justiça...como se auto-suspendeu é porque já é culpado.
Em tempos ainda tive esperança que este blog fosse aglutinador de camaradas com uma forma de pensar arejada, responsável, séria e de mudança para formas de fazer política avançadas...(o que não é o caso do Vilar, assumo!)infelizmente enganei-me e parecem-me cada vez mais, alunos da mesma cartilha.

Anónimo disse...

Não cromo: o que seria coerente é que suspendesse também as funções que tem na Região Turismo Centro onde ganha 2000 euros mais telemóvel e carro, pois é um lugar público, onde lida com interesses públicos e dinheiros públicos e também se deveria suspender da concelhia do PS, subindo o seu n.º 2. Assim seria merecedor de elogio. Agora suspender na Câmara de Coimbra onde apenas recebe senhas de presença é fácil pá!

Anónimo disse...

Para além disso só suspendeu quando foi trazido a público o facto de ter sido constituido arguido por suposto crime de corrupção e tráfico de influências, ou seja 2 semanas depois de efectivamente o ter sido.