sexta-feira, março 17, 2006

AFINAL HAVIA OUTRO..........

Luís Marinho, antigo eurodeputado, propõe-se “fechar a página triste de um consulado autoritário” na Federação de Coimbra do Partido Socialista. Ao preconizar a mudança de rotinas, métodos e comportamentos, acena como novos protagonistas e defende que, no PS/Coimbra, se faça “política, transparentemente, e nada mais do que política”.

CP – Que impulso o levará a candidatar-se à presidência da Federação de Coimbra do PS?
LM – Repor a convivência democrática no seio do PS, tão maltratada ela tem sido pela actual liderança, centralizadora, autoritária e surda à opinião dos militantes e à vontade dos órgãos legítimos intermédios do partido. Os exemplos do desprezo pelas comissões concelhias da Figueira da Foz ou de Soure, por exemplo, nas últimas autárquicas, revelam uma concepção de mando incompatível com o espírito libertário, rebelde, mas sempre democrático, dos nossos militantes . Só um poder débil e desconfiado impõe. Um poder forte é cada vez mais forte se souber dialogar e ouvir os militantes. Impulso? Esse vem-me cá de dentro, da minha natureza e dos meus valores de liberdade, igualdade e fraternidade. De que tenho, humildemente dado testemunho. Comigo, o PS volta ao socialismo em liberdade. Às origens, aos princípios. Comigo fecha-se a página triste de um consulado autoritário, de mais de três anos, na Federação de Coimbra.

CP – Estamos a pouco mais de um mês da eleição do líder. Para quando o anúncio da sua candidatura?
LM – Eu não trabalho para os jornais. Nem faço anúncios para amarrar, logo à partida, os meus camaradas. Não quero vinculações por oportunismo, por temor ou por pressão. A consciência livre dos socialistas é um valor para mim sagrado. Uma liderança democrática distingue a consciência da necessidade. Nada se pode prometer a quem precisa para obter um voto dentro ou fora do PS. Estou a trabalhar no seio do partido. Contactando, falando e convencendo. À luz discreta de um diálogo tranquilo. A seu tempo chegarão as luzes da ribalta e saltaremos para o palco… José Sócrates chegou em último à candidatura e também ganhou...
Mudar tudo

CP – Deu a conhecer o seu propósito a alguns dirigentes de âmbito nacional?
LM – Grande parte dos dirigentes socialistas mais notáveis foram meus companheiros de jornada na Direcção do PS durante muitos anos. Sou naturalmente amigo de muitos, como o sou de José Sócrates. Mas não tenho de me confessar a ninguém! Sou um homem livre de influências de grupos ou de sensibilidades. Respeito, obviamente, a hierarquia legítima do Partido Socialista e ajo em conformidade. Mas ninguém conta comigo para ser homem de confiança para qualquer manobra interna. Pelo contrário, quando voltar a ser líder do PS em Coimbra, é junto deles, em Lisboa, que exercerei pressão e persuasão com as legítimas aspirações dos militantes da minha Federação. Falando claro na exigência do que nos é devido. No PS e nas políticas do Governo.

CP – Tem associado o PS/Coimbra a uma “grande crise”. Que irá mudar se for eleito?
LM – Verdadeiramente, irá mudar tudo. Rotinas, métodos, comportamentos, pessoas. Todos terão, porém, o seu lugar e o seu papel num partido de iguais. O PS deixará de ser de um grupo e passará a ser de todos. E será o que a sua vontade quiser. Para fazer, transparentemente, política e mais nada do que política… Abrirei a porta a novas gerações de quadros e dirigentes, segundo os contributos e o mérito de cada um. A fidelidade cega deixará de ser o santo e a senha da promoção partidária. Discutiremos política em vez de lugares. E vamos repor Coimbra, a Figueira da Foz e o nosso distrito no roteiro das prioridades governamentais. Ambiciono, na Direcção do PS e do Governo, uma presença afirmativa da nossa gente.

CP – Victor Baptista desfruta aparentemente de vantagem. Quais são os seus trunfos?
LM – É melhor do que eu? Tem melhor curriculum? Sabe mais do que eu? Tem mais anos de partido? Não tem nenhuma vantagem pessoal ou política sobre mim. Tem a seu favor, isso sim, o controlo e a inércia do aparelho distrital. Mas é uma pura ilusão. Não são as máquinas que votam, são as pessoas e a sua consciência. Eu acredito no bom senso dos socialistas do distrito que, como eu, querem um PS aberto, livre, moderno e ao serviço dos nossos valores e ideais. Um PS amigo num país solidário.
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8 comentários:

Anónimo disse...

Indiscutivelmente o Marinho é muito melhor que o Batista. Só espero que não se rodeie de gente do tipo daquela que rodeou o Batista

Anónimo disse...

BUTE NESSA MARINHO. BORA LÁ!

Anónimo disse...

A MALTA QUE É BOA MALTA TÁ CONTIGO.

Anónimo disse...

Viva o Luís Marinho!

Anónimo disse...

Viva o Luís Marinho!

Socialista Atento disse...

Ao que chegamos! No PS/Coimbra, face à ditadura reinante, surgem maiorias silenciosas. Esperemos que não haja chapeladas, no dia da votação, quando virem o poder a fugir.

Anónimo disse...

A MAIORIA SILENCIOSA É A QUE É CAPAZ DE FAZER MUDANÇAS NO PODER.

Anónimo disse...

Gente que o Marinho quer trazer já sabemos o pouco que valem. Veja-se o que aconteceu quando o Parreirão trouxe consigo essas mesmas pessoas.

Outra vez, não. Mal por mal que fique lá o Baptista.