terça-feira, janeiro 10, 2006

A Figueira da Foz no Jornal PÚBLICO

Duas semanas depois de ter sido afastado da vice-presidência da Câmara da Figueira da Foz, Paulo Pereira Coelho revela que não quis integrar a lista do PSD. Admite que já teve a ambição de ser presidente da câmara, mas garante que essa vontade não o "move" actualmente.


Há quatro meses, Paulo Pereira Coelho foi eleito vereador da Câmara da Figueira da Foz e assumiu a vice-presidência no executivo da maioria social-democrata. Alegando divergências quanto à gestão da autarquia, colocou o seu lugar à disposição de Duarte Silva, que o afastou por "quebra de confiança política".As divergências que mantém com Duarte Silva significam que pretende vir a gerir a Câmara da Figueira da Foz?Não é isso que me move neste momento, mas se as pessoas não acreditam, não posso fazer nada. A verdade é esta: há quatro anos, após a saída de Santana Lopes, tive a intenção de ser presidente da Câmara da Figueira da Foz. Fiz, até, várias diligências nesse sentido. Podia ter forçado a candidatura, porque era presidente da distrital [do PSD de Coimbra], mas verifiquei que não reunia o consenso junto das esferas directivas do próprio partido e que havia quem achasse, incluindo o próprio dr. Santana Lopes, que o eng. Duarte Silva era o candidato mais indicado. Por isso entendi pôr o interesse colectivo acima da minha ambição. Depois constato que as coisas não estão bem na câmara, mas isso não pode dar o direito a ninguém de pensar que tenho alguma intenção pessoal sobre o futuro da Câmara da Figueira da Foz. Eu prezo-me por ser uma pessoa minimamente inteligente e, se quer que lhe diga, pelo andar da carruagem, não há nenhum protagonista do PSD que tenha condições para ganhar a autarquia daqui a quatro anos. Hoje, muita gente está preocupada com quem é que se vai candidatar à câmara, mas lembro-me do tempo em que fazia os convites e ninguém aceitava. Convidei o eng. Duarte Silva três/quatro vezes, antes e no próprio ano em que Santana Lopes viria a candidatar-se. A verdade é que, antes de Santana Lopes, a derrota era mais do que certa.
Se teve vontade de ser presidente de câmara, e se se foi apercebendo de uma gestão com a qual não se identificava, porque integrou a lista de Duarte Silva?Após a saída de Santana Lopes, o eng. Duarte Silva teve total liberdade para fazer a sua equipa e entendeu que era importante que eu participasse. Obviamente, não podia dizer que não, até para não subsistir a ideia que tinha ficado beliscado por não ser eu o candidato do PSD. Depois, houve vicissitudes que me levaram a estar na câmara apenas seis meses. Questões de saúde e, depois do PSD chegar ao poder, outras funções na CCDR e no Governo. Relativamente às eleições de 2005, a verdade é que não quis integrar a lista do eng. Duarte Silva, por considerar que a solução que estava a ser gizada para a Figueira não era a mais adequada. No entanto, a direcção do partido, quer ao nível distrital, quer ao nível concelhio, entendeu que eu devia participar. Tenho uma carta do partido a pedir-me expressamente para pertencer a esta lista e a verdade é que eu não podia negar um pedido tão vincado. No entanto, fiz questão de realçar que a minha postura dentro do executivo não seria a mesma, caso o rumo político da autarquia não mudasse. E, de facto, a realidade é tão má que posso dizer que ainda bem que avisei a quem tinha de avisar.Mas a situação financeira da autarquia não resulta tanto da gestão de Santana Lopes como da de Duarte Silva?No tempo de Santana Lopes, a Figueira deu um salto qualitativo muito grande. A sua passagem deu uma visibilidade à Figueira da Foz que é inestimável. Agora houve, talvez, um volume de investimento desadequado, que não foi ao encontro das prioridades do concelho. Era mais necessário um centro de congressos do que um Centro de Artes e Espectáculos (CAE). O CAE não serve os desígnios da Figueira da Foz e é um equipamento devorador de centenas de milhares de euros por ano. Se calhar, o eng. Duarte Silva é vítima disso e está a pagar a conta, como se diz. Só que isso não pode ser desculpa. Hoje, a leitura dos números diz-nos que uma boa parte da responsabilidade pela situação actual foi da gestão dos últimos quatro anos. Não vale a pena diabolizar o dr. Santana Lopes. "

Considera então que Duarte Silva foi uma má escolha para a Figueira da Foz?O eng. Duarte Silva é uma óptima pessoa, tem conhecimentos e, como se costuma dizer, "tem mundo". É importante ter uma pessoa com o seu perfil à frente da câmara, com capacidade de interferir noutras esferas de poder. Mas, ao nível de gestão corrente, a situação é diferente. Parece-me que o eng. Duarte Silva não tem nem a urgência nem a equipa para levar a cabo os desafios que se põem nesse âmbito à autarquia. Como será a sua postura daqui para frente no seio do executivo camarário? Tudo o que contribuir, no meu entendimento, para o bem da Figueira da Foz terá o meu apoio. Desse ponto de vista, o eng. Duarte Silva poderá contar com toda a solidariedade e apoio. Agora, também não cedo a pressões. Face ao actual estado da câmara, ninguém me vai ver a votar políticas despesistas, quando temos o défice astronómico e a dívida que temos. O ex-vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz considera que os resultados das eleições autárquicas de 2005 "não foram nada lisonjeiros para o PSD" e que o PS "não subiu por culpa própria". "Só quem não quiser ler os números é que não vê que o PSD baixou e que há um descontentamento claro. E só não baixámos muito mais porque as condições políticas nacionais e locais permitiram que mesmo assim pudéssemos manter uma certa distância relativamente ao PS. Obviamente, num outro enquadramento não resistiríamos. "Felizmente, o PS não capitalizou esse descontentamento", avalia.

Assim vai o Distrito...

1 comentário:

Anónimo disse...

Não é por acaso que o Paulo Coelho é que levou o Santana Lopes para a Figueira. São dois oportunistas que vêm a actividade política como um meio para atingirem seus interesses privados!